Sky Sports entrevista José Gomes

José Gomes fez o balanço desta época, ao serviço do Marítimo, na Sky Sports, e recordou a passagem pelo Reading, clube que representou em Inglaterra antes de se transferir para o conjunto insular.

A luta para disputar os jogos em casa, na retoma do campeonato, parado devido à Covid-19, marcou o início da conversa com o site inglês.

“Os organismos do futebol colocaram em cima da mesa que talvez fosse melhor jogar cinco ou seis jogos no continente. Mas temos um estádio bonito, não havia mortes por causa do vírus e lutámos por isso. Mesmo sem adeptos, é importante jogar no nosso estádio. Ir embora por 60 dias sem a família, seria um desastre. Sabíamos disso e não aceitámos. O nosso presidente foi realmente corajoso na forma como lutámos contra esses organismos”.

A vitória frente ao Benfica, por 2-0, mereceu também destaque nesta entrevista: “Foi especial, porque realmente precisávamos dos pontos e encarámos os campeões. O modo como nos organizámos defensivamente e explorámos as fraquezas do Benfica foi fantástico”.

O sucesso na mudança táctica efectuada por José Gomes foi outro tema na conversa com a Sky Sports: “Gosto de construir o jogo atrás e dar aos meus jogadores a hipótese para se divertirem com a posse de bola e para os adeptos se divertirem com a qualidade do jogo. Mas por alguma razão demos sempre ao oponente um espaço pequeno para marcar e foi muito difícil para os jogadores enfrentar isso, enquanto mantinham a mesma personalidade exigida para jogar este tipo de jogo. Por isso, decidi proteger um pouco a nossa linha defensiva e manter a mesma ideia, mas com mais um defesa central. O processo é o mesmo, a ideia é a mesma, mas estávamos mais protegidos com mais um central e ainda era um 3x4x3 quando atacávamos. Os jogadores mostraram -se mais confortáveis a jogar assim”.

Ingresso no Reading

José Gomes rumou aos Royals antes do Natal de 2018 e a realidade não era a melhor: “Quando cheguei, as coisa eram terríveis. O pior problema era que não podíamos sentir nenhuma esperança, incluindo fãs, jogadores e o quadro de directores. Todos sentíamos que não tínhamos hipóteses, por isso foi um grande desafio. Chegámos no Natal e foram jogos, jogos e jogos. A cada dois ou três dias, jogávamos outra vez e não havia tempo para respirar. Ao mesmo tempo, havia muitas decisões para tomar. Foi duro. Talvez para alguns jogadores não tenha sido justo, porque reduzi bastante o plantel. Mas era algo que tinha de fazer. Não foi uma escolha, porque se tinha bastantes jogadores, depois de 5 ou 6 jogos alguns ainda não tinham disputado sequer um minuto”.

“O resultado é que não se sentiam parte da solução. Isto era um problema para o plantel. Quando reduzimos o número de jogadores, todos se sentiram como parte da solução e o espírito foi completamente diferente. Mudámos a organização da equipa e a forma como jogávamos. Convencemos os jogadores a jogar de outra maneira que fosse melhor para nós. Felizmente, eles aceitaram a nossa ideia, acreditando e ajudando os nossos atletas a dar o seu máximo para salvar o clube e isso foi o que aconteceu.

Dia de Portugal

O Dia de Portugal como corolário da permanência no Championship continua a emocionar José Gomes: “Foi muito especial. Manterei isto para sempre no meu coração, porque, quando ouvi a falarem sobre este dia, seria talvez duas ou três pessoas com a nossa bandeira, não mais do que isso. Parte da bancada parecia como um jogo da Selecção Nacional, com o verde e vermelho nas suas caras e bandeiras por todo o lado. Foi um momento muito bonito. Foi uma relação fabulosa com o clube e com as pessoas, com os fãs. Sabem que eu realmente gostei do meu tempo no Reading. Tenho um sentimento especial por eles”.

“Não se pode sentir esta atmosfera em nenhum lugar, além de Inglaterra. A maneira como as pessoas vivem o futebol em Inglaterra é diferente. É especial. É como antes dos planos da família sem feitos, precisam de saber quando a sua equipa está a jogar. Depois, fazem os planos para a família. Não podemos encontrar isto noutro lugar, mesmo na América do Sul.”.

“Quero estar em Inglaterra novamente um dia e estarei lá novamente”.

Visite a homepage para ler a versão original desta entrevista.

Pedro Santos

Pedro Santos

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